sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O tempo

"O tempo é apenas o rio em que vou pescando. Bebo nele, mas ao beber vejo-lhe o leito de areia e percebo quão raso é. A fina corrente logo se esvai, mas a eternidade permanece. Gostaria de beber mais fundo e de pescar no céu, em cujo leito os seixos são estrelas. Não consigo contá-las. Ignoro a primeira letra do alfabeto. Tenho lamentado sempre não ser sábio como no dia em que nasci. A inteligência é um cutelo que penetra e corta caminho adentro o segredo das coisas. Não desejo ocupar minhas mãos mais do que o necessário. Minha cabeça é mãos e pés. Sinto que minhas melhores faculdades aí se concentram. O instinto me diz que a cabeça é um órgão para escavação, feito o focinho e as patas de certos bichos, e com a qual gostaria de explorar e cavar meu caminho através desses morros. Penso que o filão mais rico está por aí nas redondezas, e assim avalio por meio de varinha de condão e dos finos eflúvios que se levantam. Aqui começarei a minerar"


(Thoreau, no maravilhoso Walden - A vida nos bosques.)

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3 comentários:

Anônimo disse...

quem escreveu? Thoreau ou Felipeau?

!!!!

Haroldo de Campos disse...

Thoreau é peculiar! Um belo caminho pra essência!

alex.n disse...

Tempo anacrônico!